quinta-feira, 21 de abril de 2016

Uma fábula sobre gratidão


texto de Alexandre LoneWolf

Ela chamava-se "Pena leve" e era uma jovem indígena. Tinha nascido com muitos dons e talentos. Tantos que nem ela os conhecia a todos. 
Na tribo quando alguém precisava de curar um mal, era por Pena pequena que procuravam. 
Um dia ela afastou -se da região e foi meditar para o campo, quando lhe surgiu um estranho pela frente. Era um rapaz com um ar afável que a convidou para conhecer a sua aldeia. 
Pena leve apaixonou-se e seguiu com ele , sem hesitar. 
Quando se estavam a aproximar, pena pequena percebeu que se tratava da tribo inimiga da sua. O chefe (Xukuru) era o grande rival de seu pai. Quis voltar para trás mas deteve-se, pois não podia denunciar de onde vinha.
O jovem por quem ela se tinha apaixonado (Makané) exibiu-a a toda a tribo, com grande orgulho, mas quando o seu pai se aproximou, reconheceu-a e logo de imediato anunciou quem ela era, o que levou toda a gente a rir-se e a humilha-la. 
Durante a noite Makané ajudou Pena leve a fugir. Jurou-lhe amor eterno e prometeu esperar por ela o tempo que fosse preciso. Após longas horas perdida no meio do mato, conseguiu achar o caminho de regresso à sua tribo. 

Na manha seguinte fora inquirida pelo seu pai e contou-lhe toda a verdade e acrescentou ainda que continuava apaixonada por Makané...

O pai, sentindo-se atraiçoado decidiu expulsar pena leve da tribo.
Triste e magoada, a jovem acatou a ordem e no dia seguinte partiu para o meio do mato, onde permaneceu durante vários dias e noites.
Sentia-se dividida. Voltaria para a sua aldeia e pedia perdão a todos, ou partia em busca da pessoa por quem se tinha apaixonado e lhe prometera esperar?

Decidiu pela segunda hipótese, pois estava magoada com a decisão radical do pai e sentia que era este quem a tinha de perdoar e não o contrário. Estava desiludida com os seus congéneres aldeões, pois tinha ajudado centenas deles, e nem um teve coragem de levantar a voz contra a decisão do pai.
Ao chegar à aldeia apercebeu-se que decorria uma grande cerimonia e toda a gente festejava- Tratava-se de um casamento, e quem casava era Makané...

Desiludida e com o coração partido, pena leve regressou para o meio do mato, onde pernoitou. A lua estava cheia e começou a ouvir um choro agudo que irrompia pela árvores. Pena leve Levantou-se e foi em busca da origem daquele sofrimento. Foi quando encontrou um lobo ferido numa pata. Pena leve não teve medo e levou o lobo para junto do local onde estava. Procurou medicinas no meio da natureza e ajudou o lobo a curar-se. Numa  manha ensolarada, pena leve acordou e viu um jovem belíssimo a dormir a seu lado. O lobo tinha ido embora dando lugar aquele jovem
- Obrigado por me teres curado- disse ele fixando-a com os seus belos olhos castanhos.
- És um lobo? - retorquiu?
- Sim, queres vir conhecer a minha tribo?
- São pessoas ou lobos como tu?
- São lobos - respondeu ele. - E precisamos de uma pessoa com os teus dons. A nossa aldeia está a morrer e só tu nos podes curar.

Pena leve olhou para o alto do céu. Sentiu o vento no seu rosto e percebeu o grande mistério da vida: Quando criamos expectativas por parte das pessoas, elas na maioria nao correspondem. 
Quem nos dá o retorno das nossas acções é a  mae natureza, é dela que devemos esperar generosidade e é com ela que devemos reclamar quando não recebemos o que nos é devido.
Pena leve sentiu-se grata pelos dons que tinha, por tudo o que aprendera e por ter sido "escolhida" para ajudar aquela tribo. 

Sem comentários:

Enviar um comentário